Em tempos de Setembro Amarelo, que critérios precisamos adotar ao falarmos de algo tão delicado numa rede social, especialmente, num canal corporativo?
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A experiência de empresas e consumidores no ‘Setembro Amarelo’

Como as marcas devem se posicionar sobre o tema, sem oportunismos.

O dia 10 de setembro é considerado o Dia Mundial de Prevenção ao Suicídio e é por essa razão que neste mês é realizada a campanha ‘Setembro Amarelo’, com o objetivo de conscientizar a sociedade sobre um transtorno que se transformou numa grave questão de saúde pública, em todo o mundo.

Os dados da OMS (Organização Mundial da Saúde) são devastadores: no Brasil, o suicídio está em terceiro lugar como a causa mortis mais comum entre jovens de 15 a 29 anos, público que inclusive é o maior frequentador das redes sociais. A cada 46 minutos, uma pessoa tira a própria vida em nosso país, e no mundo, a cada 40 segundos esse tipo de tragédia acontece.

Sendo as plataformas digitais os principais canais de comunicação, hoje, não é difícil encontrar nesse ambiente, conteúdos sobre o tema e isso é ótimo, pois DEVEMOS discutir o assunto cada vez mais, a fim de desmistificá-lo. No entanto, como deve ser a experiência de empresas e consumidores no ‘Setembro Amarelo? Que critérios precisamos adotar ao falarmos de algo tão delicado numa rede social, especialmente, num canal corporativo?

Instagram, Facebook e YouTube

Foto: rawpixel.com – www.freepik.com

É sabido que o uso excessivo das redes causa dependência afetiva e emocional e, infelizmente, esse é um dos gatilhos que disparam a ansiedade e a depressão, que por sua vez, podem levar ao suicídio. Atentos a esse problema, as próprias redes criaram recursos para ajudar seus seguidores.

No Instagram, ao digitar a  hashtag #depressão, na barra de busca, o usuário é direcionado para uma página com opções de ajuda e aconselhamento. No perfil @SetembroAmarelo, por exemplo, há dicas, frases motivacionais e informações sobre o movimento em todo o país.

O Facebook oferece uma ferramenta de prevenção, diretamente no feed ou no perfil de um amigo e ao ativá-la, o usuário recebe uma mensagem com a oferta de ajuda. Uma oportunidade de conversar com alguém, num momento que pode ser decisivo.

Outra estratégia da plataforma é o investimento em algoritmos rápidos e efetivos para detectar o compartilhamento de conteúdo suicida ou depressivo, para que as pessoas entrem em contato com os donos dos perfis que publicarem algo relacionado ao assunto.

Como é possível observar, o potencial para ajudar quem tem problemas emocionais ou doenças mentais, por meio das redes sociais, é gigantesco, desde que a Inteligência Artificial, as métricas e os algoritmos sejam usados para o bem.

O acolhimento deve nortear a experiência de empresas e consumidores no ‘Setembro Amarelo’, mas é urgente que empresas e marcas criem conteúdo com prestação de serviço, que de fato colabore com a prevenção e a conscientização de forma genuína. Aliás, só assim para não parecer oportunista nessas situações.

A comunicação alinhada à cultura organizacional

Foto: www.freepik.com

O consumidor não é bobo. Subestimá-lo é o primeiro e pior erro. Uma organização que não tem em sua cultura, valores como acolhimento, empatia, sororidade e que não entenda a diversidade, fatalmente passará uma péssima impressão ao tentar apoiar campanhas e ações ligadas a essas temáticas.

Mais do que isso, a empresa que propaga o que não faz, já cai no descrédito entre os próprios colaboradores. Influencers que se solidarizam a causas que não conhecem ou na qual não estão inseridos, também não engajam. Pagam mico, passam vergonha, viram meme.

Lembram da propaganda de uma famosa marca de embutidos e congelados, que contratou uma apresentadora conhecida por não comer carne, para fazer um comercial de salsicha, na TV? O erro não passou despercebido pelo público. Até que a celebridade justificasse a participação na propaganda, o estrago já havia sido feito à imagem do anunciante. Pegou muito mal.

No ambiente das redes, para escapar da tentação de pegar carona em hashtags “bombadas”, na ingênua esperança de atrair novos seguidores e conquistar a simpatia do público, a dica é olhar para dentro. Analise qual é o lugar de fala da sua empresa e de que maneira, ela pode colaborar para a divulgação de informações úteis à comunidade.

Criar um layout com o famoso laço, em referência ao Setembro Amarelo, é pouco. É banal. Que tal iniciar conversas reais? Que tal promover workshops sobre prevenção para os clientes? A simples cobertura do evento nas mídias sociais já constitui conteúdo relevante, que gera identificação e agrega valor.

Criar um canal de ESCUTA para aconselhamento, promover momentos de descompressão do público, com atividades de relaxamento e meditação, por exemplo, são ações que elevam a qualidade de vida de quem passa por essas experiências. E isso impacta positivamente a experiência de empresas e consumidores no ‘Setembro Amarelo’, melhorando a percepção do público em relação à marca.

Fazer a diferença na sociedade é combustível para a geração de conteúdo humanizado, que se conecta com os seguidores, estimula interações e que educa. A proposta é transformar essas campanhas num momento de sensibilização máxima, com muito respeito pela dor do outro e com o propósito real de salvar vidas. É com essa verdade que se constrói a autoridade no mercado e se conquista a admiração…mas isso é pauta para um outro artigo.

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Claudia Campanhã

Jornalista, formada há 22 anos pela Universidade São Marcos, fez pós-graduação na FAAP, em Comunicação para Mídias Sociais. Atuou como Assessora de Comunicação de grandes players dos segmentos de moda, arquitetura, decoração e gastronomia, sendo responsável pela implementação e presença digital de empresas como Altenburg e Capricórnio Têxtil. Em 2007 criou a Campanha Comunicação, bureau de branding content e de produção de podcasts, para atender empresas de diversos segmentos e de todos os portes, colaborando com a construção de autoridade junto ao público, nas mídias sociais.

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